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Energia solar

Parques solares e sua vantagens em relação a hidrelétricas

Por Fernando Schulman · 6 de março de 2019

Parques solares e sua vantagens em relação a hidrelétricas

Uma das maiores fontes de produção de eletricidade no Brasil são pelas hidrelétricas. Consideradas uma fonte de energia limpa (que não polui o meio ambiente, como as usinas nucleares) elas foram por muitos anos a melhor escolha para produzir energia.

Porém, com o passar do tempo novas tecnologias foram se desenvolvendo ou sendo aprimoradas, e maneiras diferentes de gerar energia foram criadas com um menor impacto para o meio ambiente, como a energia eólica e a fotovoltaica.

Como é construído uma hidrelétrica

As hidrelétricas são uma das maiores geradoras de energia no Brasil. O Governo Federal já iniciou o plano de construir 30 hidrelétricas na Amazônia até 2023. No entanto, cada hidrelétrica precisa de um espaço gigantesco de utilização, gerando desmatamento e muita destruição para sua construção.

A Imazon, instituto que coleta dados de desmatamento na amazônia, informou que o Governo prevê um desmatamento de 562 mil hectares de floresta pelas hidrelétricas a serem construídas. A Hidrelétrica de Belo Monte, inaugurada em 2016 na Amazônia, possui um reservatório principal de 359 km² e um segundo com 110 km², os reservatórios são necessários pois a energia é produzida pela força da queda d’água de cada comporta. A produção da usina teve também 66 milhões de m³ de terra e rocha escavadas e o lançamento de 3 milhões de m³ de concreto para a construção da barragem.

O tempo de construção de uma hidrelétrica também é lenta. Atualmente, uma usina leva 4 anos para ser construída, mas ainda existem outros trabalhos para serem feitos, como a criação de redes de transmissão, que podem demorar mais para ficarem prontas. Belo Monte, no Pará, já está em funcionamento, mas não funciona em capacidade total devido a falta de redes de transmissões levar a energia produzida.

Com espaço gigantesco de utilização os gastos também são altos: a usina de Belo Monte teve um gasto estimado de 25 bilhões de reais, isso não inclui os gastos com estradas e redes de transmissões. Mas um fator que não pode ser contabilizado são em relação a perda da biodiversidade e os gases do efeito estufa (GEE). Com perda de uma grande área de floresta o aumento do GEE aumenta, gerando alterações climáticas, como aumento do calor e redução das chuvas.

Parques solares e sua versatilidade em se adequar a qualquer ambiente Ao contrário das hidrelétricas, os parques solares possuem um impacto ambiental bem menor e até mesmo reversível. A utilização de cimento são quase irrisórias e sua produção não causa aumento do GEE, pois não há necessidade de desmatamento. O tempo para a construção é metade de uma hidrelétrica, de 06 meses até 2 anos, dependendo do tamanho da área a ser construída.

Outro fator importante está no valor da construção. O parque fotovoltaico de Nova Olinda, por exemplo, foi inaugurado em 2017 e possui 930 mil painéis solares espalhados por 690 hectares, com um custo do investimento de US$ 300 milhões. A Chesf, autarquia responsável pelo Rio São Francisco, investiu R$ 56 milhões em 36 mil painéis solares que estão sendo inseridos no rio para produção de energia.

Os painéis solares podem ser colocados em qualquer local, desde áreas áridas como no nordeste, telhados e até mesmo na água. É o que vai acontecer na cidade mineira de Grão Mogol, onde será construída um parque fotovoltaico utilizando painéis fotovoltaicos flutuantes, em cima do espelho d’água do reservatório de uma pequena usina hidrelétrica que já possui na região. A hidrelétrica produz 1MW de energia, enquanto as placas fotovoltaicas irão produzir 2,2 MW de potência, mais que o dobro que a hidrelétrica. O investimento é de R$ 24,4 milhões.

O mesmo acontece no Rio São Francisco, que recebeu há um mês painéis flutuantes na barragem da hidrelétrica Sobradinho, na Bahia A plataforma instalada possui 7,3 mil módulos de placas solares, cobrindo uma área de 10 mil metros quadrados e com capacidade de geração de 1 MWp. Em 2019 serão implantados mais 4 MWp de painéis solares. Ao final do projeto, a hidrelétrica de Sobradinho terá 35 mil painéis solares em 50 mil metros quadrados.

Já o parque solar da Eletrosul foi construída sobre o prédio administrativo da empresa e sobre as vagas de estacionamento, gerando energia e sombra para os carros ao mesmo tempo. Possui uma potência instalada de 1 MW. Outro grande parque fotovoltaico encontra-se bem no meio de Belo Horizonte. O Estádio do Mineirão possui hoje 6.000 painéis solares no seu telhado, gerando 1420 MWp de potência.

Embora os dois tipos de usinas criam empregos diretos e indiretos, é importante lembrar que a grande parte dos parques fotovoltaicos foram (e estão) sendo construídos em áreas áridas como sertão, local que não há muito investimento em indústrias e, por consequência, com escassez de empregos formais para a população. Com a chegada dos parques fotovoltaicos isso começa a mudar, trazendo empregos diretos e indiretos e, posteriormente, uma melhor qualidade de vida para as famílias da região com o desenvolvimento da região trazido pelo parque solar. Tudo isso sem degradação do meio ambiente e interferir no aumento de GEE.

Publicado originalmente no LinkedIn em 6 de março de 2019. Ver a publicação original

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